sábado, 9 de abril de 2016

Recomendação de filme: "Garota, Interrompida"

Girl, Interrupted
Ano do lançamento: 1999
(no Brasil: Garota, Interrompida ou em Portugal: Vida Interrompida)

 Dirigido por James Mangold, Garota, Interrompida teve roteiro escrito por James Mangold, Lisa Loomer e Anna Hamilton Phelan. Baseado no livro Garota, Interrompida da autora Susanna Kaysen. Gênero: Drama. Nos papéis principais, Winona Ryder (Susanna Kaysen), Angelina Jolie (Lisa Rowe) e Whoopi Goldberg (Valerie Owens). O elenco ainda teve nomes como Jared Leto, Brittany Murphy, Clea DuVall, Elisabeth Moss e Vanessa Redgrave.


Premiações:
Oscar
  • Oscar de melhor atriz coadjuvante (Angelina Jolie).
Globo de Ouro
  • Globo de Ouro de melhor atriz coadjuvante (Angelina Jolie).

 Sinopse rápida: O longa mostra a história da protagonista Susanna Kaysen (vivida por Winona Ryder), uma jovem com Transtorno de Personalidade Borderline, que deprimida, tenta se matar tomando um pote inteiro de aspirinas com vodka. Por este motivo, sua família procura a ajuda de um psicanalista amigo da família e ambos decidem pela sua internação em hospital psiquiátrico. Em sua estada no Hospital Claymoore, um hospício, Susanna faz amizade com algumas das internadas com quem se dá bem, e acaba se envolvendo com a sociopata Lisa (vivida por Angelina Jolie), Lisa usa seus métodos manipuladores para rapidamente ganhar a confiança de Susanna, e elas se tornam então, amigas.


O filme se ambienta na década de 60, época em que questões sociais eram mais importantes, e isso é mostrado quando o psicanalista amigo da família que atende Susanna, para justificar a internação, diz que ela estaria fazendo todos ao seu redor sofrerem muito. Isso denota a falta de cuidado com relação à pessoa existencialmente doente, em que apenas se consideram questões sociais, como aquela patologia está interferindo na vida de outras pessoas, não levando em consideração a história de vida do paciente, bem como o sofrimento que ele próprio tem vivenciado. No filme também é levantada algumas questões como o estigma da loucura e a banalização de problemas psicológicos. Logo no início do filme, Susanna, levanta algumas perguntas: "você já confundiu um sonho com a realidade, já se sentiu triste, ou achou que o trem estava se movendo quando, na verdade, ele estava parado?". Tais indagações demonstram a fragilidade dos nossos conceitos sobre o que é ser normal e ser louco, haja vista que Susanna foi levada a internar-se por ter chegado ao extremo de problemas típicos de sua idade, os quais envolvem relacionamentos e pressões sobre a escolha de uma carreira, a incerteza de um futuro. Claro, a adolescência e seus estágios finais são difíceis, mas nem todo jovem tenta o suicídio. Entretanto, aquele que tentar, deve ser considerado louco? E ser internado em um hospital psiquiátrico?

Desde o começo de sua internação, podemos ver que Susanna está contrariada, negando ter tentado se matar. Nesse ponto, em suas primeiras conversas com psiquiatras, é possível observar a relação médico e paciente, que, claramente, entra em um embate de forças, no qual o médico sempre impõe sua opinião a paciente. Os psiquiatras parecem ter uma opinião formada e irreversível a respeito das atitudes de Susanna e assim negligenciando um real tratamento. Ao conhecermos as outras internas, percebemos mais estigmas e, novamente, entra a pergunta: o que é ser louco? Uma jovem que sofre de anorexia (Janet vivida por Angela Bettis), uma que se considera homem, vestindo e comportando-se como tal (Cynthia vivida por Jillian Armenante), outra que teve boa parte de seu rosto queimado e, por isso, tem problemas com autoestima (Polly vivida por Elisabeth Moss), podem ser consideradas loucas? Na década de 1960, podiam. É claro ver que os conceitos sobre a loucura são extremamente frágeis, e sujeitos a mudanças. Tudo aquilo que nos parece estranho deve ser considerado louco, deve ser reprimido, precisa de remédios para "voltar ao normal". Também vemos as internas sendo medicadas, porem, o acompanhamento psicológico das mesmas é banal. Bom, se são loucas, nada mais precisam do que remédios. Esse parece ser o pensamento principal e por causa disso, querendo ou não, produzirá sim, doentes, visto que a exposição contínua a remédios provoca o vício (fato que é mostrado no filme). Remédios são importantes para amenizar sintomas, entretanto, apenas isso basta? O acompanhamento psicológico deveria ser tão estimulado quanto à prescrição excessiva de medicamentos, de modo que o paciente, ao longo de seu tratamento, possa evoluir a ponto de abandonar o uso de remédios (ou utilizar doses mínimas), e não ficar cada vez mais dependente dos mesmos.

Voltando a Susanna, ela se descreve com o sentimento de confusão sobre como se sente, como se o passado vivesse engolindo seu presente, o que a faz viver situações quase psicóticas. Como quando refere sentir que suas mãos estavam sem ossos, apegando-se a este delírio para justificar sua tentativa de suicídio. Justifica este momento também quando, em conversa consigo mesma, dizendo que tenta se machucar externamente numa tentativa de matar aquilo que vivencia internamente. Em vários momentos, parece até estar sob o efeito de drogas, pois seu comportamento é alterado significativamente em decorrência da descarga emocional. Seus sentimentos são sempre ambivalentes, experimentando além de comportamentos autodestrutivos, como a tentativa de suicídio, a melancolia, ataques de fúria, sarcasmo e comportamentos sexuais impulsivos, que a rotulam como promíscua e confirmam o diagnóstico. Assim como as outras internas é obrigada a ingerir os medicamentos sem ao menos saber para quê servem, o que não a agrada em nada e a faz ficar angustiada. Em sessão com os pais e o psiquiatra do hospital, conflitos familiares aparecem, bem como o diagnóstico do transtorno, do qual a paciente não sabia e o qual não lhe foi explicado, sendo assim, aumentando a angústia já existente. Ao negar-lhe as informações acerca de sua condição gerou a sensação de desamparo vivido pela garota hospitalizada. Que nas cenas finais do filme relata à enfermeira sua indignação, sobre como poderia curar-se se nem sabia o que tinha.
 
Mais pra frente Susanna passa então a adaptar-se ao ambiente em que vive no momento, fazendo amizades que nunca teve “do lado de fora”. Em certo momento, um rapaz com o qual se relacionou vai visitá-la e surge a oportunidade de fugir do hospital, a qual é repelida pela garota, que prefere ficar no local devido aos laços de amizade conquistados.
Polly (vivida por Elisabeth Moss) e Georgina (vivida por Clea DuVall) são também apresentadas como pessoas que encontraram um modo de serem felizes naquele hospício, convivendo com as pessoas ao redor e é bom ver como o filme mostra que a convivência em grupo é importante para todo mundo. Daisy (vivida por Britanny Murphy) é uma personagem problemática que é vítima das provocações de Lisa e isso resulta num fim trágico.
À medida que a amizade de Susanna e Lisa aumenta a ousadia de Susanna também aumenta a certo ponto, mas ela não é cega, e sua relação com Lisa vai se tornando instável aos poucos. A personagem Valerie (vivida por Whoopi Goldberg) tem o foco que deve ter, é mostrada como a enfermeira chata da história. Ela rivaliza com Lisa e mostra estar disposta a por a cabeça da mesma no lugar, porém as teimosias e a sociopatia de Lisa não cedem tão fácil. Nesse filme, temos um clímax e uma conclusão bem intensa, onde as personagens Susanna e Lisa se confrontam. É interessante ver o modo como Lisa define liberdade, ela julga-se livre pelo fato de fazer o que quiser, na hora que quer, mas ela consegue pela força e não pelo fato de ser um direito dela, porém, ela esta errada e no final, é mostrado que até mesmo Lisa é vulnerável e tem um lado sentimental e sensível, ela acaba não sendo a vilã para as outras pessoas, mas acaba sendo a vilã para ela mesma, pois são seus atos de "liberdade" e sua ousadia que a mantém naquele hospício.


O filme é baseado na historia real narrada em um livro de mesmo nome e escrito por nada mais nada menos que a própria Susanna Kaysen, que conta seus 2 anos vividos em Claymoore.










Susanna Kaysen

















Trailer:



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