Sem Croquet & Um novo jogo a escolher...
"Tinta, ninfas e carnaval"
Capítulo 8.
O Campo de croquet da Rainha.
Esse foi o capítulo do qual tirei um trecho para fazer a cena do dia AULA DE VOZ II dia 09/08/16
Por sorte eu sabia tudo de cór ainda, mas claro que a pequena revisão que fiz com a Re antes da cena me ajudou em muita coisa que talvez me passasse despercebido.
Primeiramente vou fazer uma coisa que talvez eu nunca tenha feito por aqui até agora...
Nas minhas aulas da oficina de jogos eu aplico nos meus alunos o "gosto, critico e sugiro", e eu percebi o quanto esse exercício é importante estando aplicando ele como professora do que "recebendo" ele como aluna.
Bom... Eu CRITICO. A mim mesma. '-'
A verdade é que eu não estou satisfeita com o que estou fazendo em cena nos ensaios sendo Alice. Sinceramente da vontade de pedir pra fazer tudo outra vez pois na primeira ficou mó bosta (perdão pela expressão). Sinto muita cotidianidade em mim quando estou fazendo a minha Alice. Talvez porque eu, la no fundo, acho que deva ser assim pois ela é uma garotinha comum num mundo nonsense e fantasioso. Mas mesmo assim sinto uma carência de um corpo mais dilatado e cênico que faça jus a minha dilatação mental e imaginária.
Na verdade, creio que meu método mais eficaz seja a exaustão, se é que posso chamar assim, que é repetir a cena até sentir ela perfeita. Alias, eu costumo ligar muito palavras à imagens então ficaria bem mais fácil para mim decorar as falar já as dizendo em cena, pois assim meu corpo registraria a ação física em suas memórias e junto na memória corporal registrada também viria a memória vocal de tudo dito em cena.
A prova disso é o fato de que uma consigo me lembrar de cada detalhe e fala de filmes que eu vejo no mínimo 2 vezes sem nenhum problema, porem com livros é diferente, sou obrigada (uma obrigação prazerosa por sinal) a visualizar internamente com a minha imaginação cada cena e cada dialogo, então eu praticamente crio um filme inteiro em minha mente com imagens para poder encaixar estes diálogos e narrativas pois só assim consigo memorizar e não esquecer o que li.
Enfim... Descobri que eu consigo dividir bem o meu foco quando eu não to fazendo nada rsrs.
Quando eu tava esperando minha deixa para entrar em cena que de acordo com o livro é após eles terem o dialogo:
Até então eu só estaria ali observando-os e eles nem notariam minha presença até que eu perguntasse:"Presta atenção, Cinco! Não salpiques tinta para cima de mim!""Não posso evitar", disse o Cinco, em um tom amuado; "Sete empurrou meu cotovelo".
Nisso o Sete olhou para cima e disse: 'Isso mesmo, Cinco! Sempre a colocar a culpa nos outros!"
"É melhor não falar!" disse o Cinco. "Eu ouvi a Rainha dizer que ontem você merecia ser decapitado!"
"Para que?" disse aquele que falou primeiro.
"Isso não é da sua conta, Dois!" disse o Sete.
"Sim, isso é da conta dele!" disso o Cinco, "e eu vou dizer-lhe, foi por trazer as raízes de tulipa do cozinheiro em vez das cebolas."
"porque estão a pintar essas rosas?"Até a minha fala inicial deu pra eu dividir meu foco entre certas coisas...
Primeiro, o pessoal do "cortejo" salve algumas exceções não tava nem aí pro que tava rolando em cena no tatame e ficaram de conversinha paralela e isso me incomodou muito pois pensei que eles não iam saber a hora certa de entrar em cena.
Segundo, a posição das "rosas" da roseira. Se a ideia era cada uma ser uma rosa de uma única roseira, a posição delas mato a ideia, pelo menos ao meu ver. (logo mais abaixo eu explico a minha "visão" de como poderia ser a roseira)
Terceiro, vi que Diogo e Felipe estavam demorando muito para iniciar um dialogo, eles podiam ter feito todo aquele trabalho corporal lindo já dialogando. Ao meu ver eles já podiam ter puxado um "Presta atenção! Não jogue tinta em mim!" logo na primeira topada que eles dão um no outro. E essa demora no dialogo me fez fica meio sem ação, tipo, qual é a minha deixa mesmo? E a deixa só rolou aos 45 do segundo tempo.
E em quarto, ainda consegui prestar atenção no comando da Rejane a tempo de eu entrar em cena rsrs.
Os meninos de Cartas jardineiras estavam ótimos, gostei mesmo. Diogo principalmente, ele internalizou bem a personagem. :)
As rosas também estavam ótimas... Adorei o trabalho de corpo delas, a extracotidianidade delas com as mãos e os movimentos da cintura escapular. Todo esse mexe e remexe todo me deu muitas idéias visuais lindas, porem... Algo que me incomodou muito foi o fator "FILA" que elas fizeram.
Gosto de sites de imagens e um dos meus favoritos é o Pinterest, lá eu pesquiso vários tipos de arte, uma mais linda que a outra. E lá eu encontrei algumas imagens de formas corporais lindíssimas que expressam bem a minha visão da "roseira".
As imagens abaixo são só para exemplificar.
Não sei se vai dar pra entender o que eu imagino mas... É como se elas fossem parte de uma coisa única, afinal elas são as rosas de uma roseira e não apenas 4 indivíduos avulsos, elas são uma unidade, uma deidade.
Ficaria lindo elas todas juntas, como que se fossem unidas por um mesmo caule e só a parte de cima do corpo delas se mexesse do mesmo jeitinho que elas fizeram em cena. :)
Na verdade eu associei o movimento delas com danças feitas por dançarinas de Tribal Belly Dance que é uma espécie de dança do ventre que eu acho muito linda.
E como eu tenho um certo afeto por coisas míticas eu tive mais uma livre-associação. Na minha visão interna as rosas da roseira são na verdade ninfas, seres da natureza, como se fossem fadas ou algo do tipo.
Eu tive essa associação graças a uma série de lembranças que tenho de um livro ilustrado que falava sobre fadas, duendes e gnomos. Neste livro havia uma enciclopédia das fadas onde tinham varias imagens de varias fadas de tipos diferentes. E haviam fadas/ninfas que se pareciam com flores. Algo como a imagem abaixo:
Então porque não transformar essas rosas em ninfas? E isso da acesso ao "mítico" ou "divino" que existe na natureza e como as atrizes vão estar "se mexendo" toda vez que forem "pintadas" isso pode remeter ao "negativo" de se mexer na natureza.
Isso pode soar como uma critica em forma de performance.
Podemos fazer tipo umas coroas com galhos e pétalas de rosas mesmo...
E vestidos com rosas brancas de enfeite para que possam ser pintadas...
Bom... é só uma ideia.
O Cortejo da Rainha de Copas...
Significado de CORTEJO: procissão, comitiva, por vezes pomposa, que segue pessoa ou grupo de pessoas, ger. de excepcionais qualidades, a fim de lhe(s) prestar homenagem ou expressar respeito; séquitoLógico que me veio algo bem majestoso e até mesmo carnavalesco nesta parte da cena, onde o cortejo é descrito como:
"Primeiro surgiram dez soldados armados com maças.
Eram todos iguais aos jardineiros, retangulares e achatados,
com as pernas e os braços nos quatro ângulos.
Em seguida vieram dez cortesãos, paramentados com diamantes em forma de losangos.
Caminhavam de dois em dois, assim como os soldados.
Depois vieram os infantes reais, também em número de dez,
saltitando alegremente de mãos dadas, em pares, todos enfeitados com corações.
Atrás vieram os convidados, na maior parte Reis e Rainhas;
entre eles Alice reconheceu o Coelho Branco,
que conversava de maneira apressada e nervosa, sorrindo para tudo o que diziam:
passou por ela sem notar sua presença.
A seguir veio o Valete de Copas, trazendo a coroa do Rei numa almofada de veludo vermelho.
Por fim, encerrando este grandioso cortejo,
vieram O REI E A RAINHA DE COPAS."
Soldados armados de maças... É lógico, Alice é uma menina que talvez não tenha familiaridades com armas e tenha associado as pontas das lanças com maças espetadas, isso da um ar de inocência a ela.
Outra coisa que devemos levar em conta é a distribuição hierárquica do cortejo, a narrativa já mostra como deve ser... Primeiro vem a proteção, a guarda da rainha, que são os soldados armados de "maças". Em seguida os cortesãos que nada mais são do que pessoas que frequentemente estão presentes na corte de um rei. De forma geral, se trata de homens que compõe uma corte. Este pode exercer diversas funções, desde entreter o rei com músicas, conversas, jogos e danças, a exercer cargos de importância, tais como dar conselhos e ajudar na formação do príncipe. A mulher que tem tais funções é uma dama de companhia para a rainha. Depois vem os infantes, saltitando e dançando, infantes são os príncipes, filhos pequenos dos reis e rainhas e como são crianças tudo se torna brincadeira para eles.
Gostei da ideia do Adriano de fazer um tipo de campo de visão onde todos os infantes girariam em volta da rainha junto as cartas jardineiras ao implorarem para não serem decapitados.
Logo após, vieram alguns convidados e entre eles estava o Coelho Branco.
Em seguida vem o Valete de Copas, segurando a coroa do rei em uma almofada.
E por fim e mais importante... O REI E A RAINHA DE COPAS. Com ares bem soberanos, contrastando com os demais.
Ao ver isso em cena eu recordei dos carnavais de Veneza que vi em alguns filmes por aí, onde pessoas em trajes luxuosos saem em procissão...
Talvez seja por causa da música e porque todos estavam "dançando" e não só os "infantes".
Alias, o carnaval de Veneza também me deu uma ideia para algo que Rejane tinha dito no começo, de que talvez os soldados podiam estar vendados... Como as vendas, dependendo do tecido, atrapalhariam a visão dos atores em cena, que tal então venda-los com renda? Afinal a renda é vazada e daria perfeitamente para ver através dela, daria poética e ficaria algo sensual e contemporâneo.
No fim da montagem da cena houve a decisão de substituir o jogo de croquet por outro. Por enquanto ainda estamos discutindo isso e quem sabe logo logo teremos uma boa ideia.
Bom... Até o momento eu creio que é só isso que tenho a oferecer. rsrs
Então... Até a próxima.























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