sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

LIVRO DO ATOR. part2.

Considerações finais de Alice e da AC2

Missão cumprida

 


"Subir ao palco, representar uma personagem e receber os aplausos é o lado glamouroso da profissão."
Li isso em um blog cujo nome não me recordo... Sim, esse é o lado glamour da profissão, mas e o que vem antes? O processo de montagem, os bastidores... Com certeza tudo estava bem longe de parecer com glamour. Mas, sabe de uma coisa? No fim tudo vale a pena. :)

Essa semana me deparei com um desafio, analisar quais os procedimentos de teatrólogos como Stanislavski, Grotowski, Meyerhold, Brecht, Artaud... (Eu realmente deveria ter tirado foto do quadro, pois não me lembro dos outros. rsrs) Estariam presentes em Alice.

Os textos utilizados nos debates desta semana (até mesmo o de jogos) foram valiosos para mim, pois consegui analisar e esclarecer coisas que, para mim, antes eram obscuras.

Como quando tive que executar uma partitura corporal de oito ações físicas e ao executa-la fui questionada pela professora, pois estava fazendo errado. Eu não entendi na hora e até me revoltei pois pensava estar certa, porem, ao ler o texto de corpo minha ficha caiu e refleti.

"Não interprete nada, apenas execute cada ação"
Stanislavski dizia isso nos ensaios visando impedir que o ator atuasse de maneira mecânica e falsa. 

Criei uma partitura onde "Alice" executava os movimentos, mas, e eu? Aquilo realmente soou bem falso, eu me forcei a fazer por causa da personagem, as ações não estavam naturais e o ator (eu) não teve pulsão.


Mas no fim deu tudo certo, a construção da minha personagem foi algo que surgiu de mim.
No LIVRO DO ATOR. part1. eu falo sobre as minhas inspirações, o material para compor as personagens.
Mas é lógico que mesmo tendo me inspirado em obras já existentes eu queria ser original, então eu decidi recorrer a uma fonte muito rica e até então pouco aproveitada: EU.


A partir de monólogo interior eu consegui estabelecer uma relação com a minha personagem. A minha apropriação fluiu como uma colagem de fragmentos que extrai de minhas memórias psicofísicas junto com a ideia base da personagem em texto para assim concluir em um novo ser que seja pelo menos um pouco original. 
Claro, também fiz recortes de minhas inspirações, porem, a extração do "eu" me ajudou a não ser uma cópia de outras Alices já existentes.


Outra coisa que utilizei também foi "memória emotiva", só que infelizmente tive algum bloqueio no dia da estreia e eu não consegui gerar pulsão por meio de memória emotiva, talvez tenha sido o nervosismo.
Em um dos ensaios da cena 4, na sala 12, eu consegui atingir esse estado emocional para gerar veracidade. O ponto de partida desta cena era o final da cena 3, no qual Alice esta triste e sozinha. Nesse momento eu me apoiava na lembrança de meu pai, meus olhos enchiam de lágrimas e cheguei a chorar de verdade por alguns instantes.

Talvez Stanislavsky estivesse certo em achar que a memória emotiva fosse menos efetiva, pois ele acreditava que após um tempo vivenciando a mesma memória ela não causaria mais a mesma emoção no ator. Ou talvez tenha sido o fato de eu não ter tido tempo de fazer queimar esta memória em mim pois a transição de cena foi rápida. Não sei dizer ao certo...

É curioso pensar em como Alice, naquele momento, queria muito estar em casa ao lado dos pais, da irmã e da gata Dinah... Alternando comigo que queria estar com meu pai e que ele estivesse bem.
Um momento de hibridismo que constatou que eu e Alice somos um.


Técnica de repetição e Meisner em ALICE?

Enquanto, individualmente, eu tentava conciliar Stanislavski e Strasberg, coletivamente, talvez o que rolava era mais pra Meisner...
“atuar é a habilidade de viver verdadeiramente sob circunstâncias imaginárias”
- Sanford Meisner 

Lembro que em uma das primeiras aulas, nas quais ainda estávamos estudando possibilidades de cenas, tivemos que abdicar do texto e improvisar, eu escolhi a cena 8 e assim ela nasceu, com o passar do tempo ela foi se moldando mas no fim a base era a mesma utilizada nesta aula na qual improvisamos.

Fluiu tão bem que, pelo menos eu, nunca mais precisei pegar no texto para ver o que deveria ou não dizer pois o texto sai naturalmente.

Método de Atuação Sanford Meisner...
O treinamento começa com um intensivo trabalho de improvisação, incluindo exercícios de repetição nos quais o ator aprende a colocar sua atenção para fora, tornar-se instintivo e focar no comportamento do parceiro. Com isso, elimina-se a intelectualização dos atores, tornando-os espontâneos para o que está acontecendo no momento presente.
Na segunda etapa, o foco está na imaginação: As circunstâncias imaginárias. São realizados exercícios para trazer o que é mais profundo e significativo para o ator através de ações físicas específicas.
O método trabalha uma série de exercícios interdependentes no qual um exercício leva ao próximo, de complexidade crescente para desenvolver uma improvisação apoiada na escuta e na resposta espontânea, gerando uma “atuação verdadeira dentro de circunstâncias imaginárias”. O foco está na escuta. Escutar, responder e se manter no momento presente são os fundamentos do trabalho.
Depois deste processo, o ator emerge um ser mais honesto e forte com ferramentas prontas para atuar em filme, televisão e no palco. Toda esta técnica tem como objetivo tornar o ator mais forte, desejoso e disponível para deixar que o mistério ocorra.

Meisner dizia que atuar as vezes era "comportamento", ou seja, você não precisa necessariamente falar.
Seu corpo, sua face e até mesmo o seu olhar podem falar por você em cena.

 Isso quer dizer que, não é só porque você não tem falas que você não faz diferença em cena, você pode fazer muita diferença. Ser espontâneo em cena e reagir ao que esta acontecendo a sua volta. Isso me lembra muito os viewpoints que utilizamos na peça.

A repetição também pode proporcionar naturalismo, podendo dar brechas para a improvisação e até mesmo brincar em cena.


Brecht e a teoria do distanciamento?

"O ator e o espectador deveriam se distanciar um do outro e cada um de si próprio."
- Eugen Brecht 

De acordo com o que eu entendi da teoria do distanciamento, Brecht sugeria que a peça tivesse o intuito de fazer com que o espectador tirasse uma lição permanente dela e não só fazer com que se identifiquem emocionalmente com ela.
 Também haveria de ter um distanciamento entre ator e personagem, de acordo com ele não pode haver metamorfose.
"O ator, em cena, jamais chega a metamorfosear-se integralmente na personagem. O ator não é nem Lear, nem Harpagon, nem Schweyck, antes os apresenta. Reproduz suas falas com a maior autenticidade possível, procura representar sua conduta com tanta perfeição quanto sua experiência humana o permite, mas não tenta persuadir-se (e dessa forma persuadir, também, os outros) de que nele se metamorfoseou completamente."
De acordo com essa teoria o método Stanislavskiano deveria ser deixado de lado.
Bom... O Stanislavski não foi deixado de lado, mas mesmo assim houve algo de Brecht em Alice.
Como, por exemplo, o fato de que cada ator tinha mais de uma personagem e também por existir varias Alices encenadas por atrizes diferentes, isso pode ter gerado uma perspectiva de distanciamento. Afinal, isso da a ideia de que todos os atores podem ser qualquer um dos personagem e vice versa.

 
Além de que, há uma quebra no elemento ficcional durante a transição da cena 11 para a 12, onde existe os "atores" trocando de roupa no palco para se tornarem outra personagem.

Ator santo e Ato total

Também acredito que tenhamos alcançado estes patamares. Mesmo que no começo tenhamos tido problemas, a entrega do elenco foi total.
Nos despimos de nossos pudores e receios, nos livramos da má vontade e do comodismo, literalmente saímos da zona de conforto. Nos tornamos "monstros".

Queríamos entregar ao publico uma adaptação majestosa e conseguimos.
Fizemos tudo o que tínhamos direito, aproveitamos bem todo o espaço, dilatamos nossos corpos e vozes com vontade, nos entregamos com verdade, fomos atores vivos em cena, explodimos e geramos pulsão, quebramos a quarta parede e causamos com a plateia.

Estou realmente orgulhosa da direção, produção, elenco e todos os envolvidos e estou especialmente orgulhosa de mim.
"Alice, me empresta as maravilhas do teu país?"
Emprestar? Não precisamos... 

Todos nós somos Alices, Coelhos, Chapeleiros e Lebres, Reis e Rainhas e o país das maravilhas sempre foi nosso! 


sábado, 5 de novembro de 2016

LIVRO DO ATOR. part1.

Ênfase na minha histeria Alicenógena

Mari vs Alice

Eu sinceramente não estou sabendo lidar com o blog mais rsrs...


Não sei mais o que escrever nele então vou fazer algo tipo o que o Heath Ledger fez com o Coringa dele.


"Adeus pés"... "Rato, rato"... "Prêmios, prêmios"... 
"Que casinha é essa?"... "Só quero ver o que essa garrafinha faz"... 
"Quem é você?"... 
"Se cada um cuidasse da própria vida, o mundo giraria bem mais depressa"... "Porco ou corpo?"... "Alice,Alice"... 
"Porque um corvo se parece com uma escrivaninha?"... "Maaaaais chá!"... 
"Porque estão pintando as rosas de vermelho?"... "Cortem-lhe a cabeça!!"... 
"Ou você ou a sua cabeça devem desaparecer"...
"Talvez você não tenha vivido muito tempo no mar"... "Talvez nunca tenha sido apresentada a uma lagosta"... "Que estúpidos!"... 
"Importante, desimportante, importante, desimportante, importante"...

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Talvez eu seja realmente uma Alice presa em meu próprio país das maravilhas, talvez nada disso seja real e eu acorde amanhã tendo apenas 12 anos novamente, talvez eu esteja presa num loop temporal, talvez...


Mari vs Alice


No começo eu queria ser rainha pois queria uma personagem de aparência forte e inquestionável. Na verdade esse meu desejo era para suprir um buraco em minha psique, afinal eu quero ser forte e inquestionável, quero que as pessoas aceitem o que eu falo mesmo estando errada ou pelo menos, quero perder o medo de dizer algo por achar que estou errada. 

Desde que era criança a liberdade de expressão foi tirada de mim e isso meio que me frustrou, e hoje em dia eu penso que além de perder a capacidade de falar o que penso eu também perdi a capacidade de ser eu mesma, eu simplesmente não consigo ser eu de um modo natural :/
Tudo ao meu redor me afeta de alguma maneira e me priva de ser "EU".

QUEM É VOCÊ? Eu realmente não sei, talvez o meu "eu" verdadeiro não goste de se expor pois não foi acostumado a isso e tudo o que eu faço na verdade é atuação. Eu não passo de uma personagem criada por "eu" mesma.

No final eu sou Alice. Uma Alice cinza... Acabou de cair a ficha pra mim de que essa seja realmente a cor que mais me representa. Afinal quando alguém quer representar algo sombrio no audiovisual eles usam efeito de escala de cinza ou preto e branco.


E meu lado sombrio talvez seja o meu "eu" verdadeiro.

Bom, decidi encarnar de vez Alice e tomar chá com os meus fantasmas...


Até porque Alice é uma menina esperta e espontânea, com uma mente bem a frente à sua idade. Ser Alice é melhor do que ser a Rainha, além do mais... "Somente os tolos tem sempre certeza do que que dizem, os sábios sempre tem alguma dúvida".

Construção de Alice


Desde o começo eu me inspiro muito em duas fontes: Alice no País das Maravilhas, de 1951, filme animado feito pela Disney e Alice no País das Maravilhas, de 1999, telefilme feito pela NBC.


Eu me aproprio principalmente das figuras físicas delas, das ações físicas, como elas desenham seus corpos em cada situação.

Como, por exemplo, o fato de Alice (1951) fazer mesuras quando se apresenta ou está agradecida.


Ou como a Alice (1999) que quase sempre esta segurando as mãos atrás das costas quando ouve ou presencia algum evento, isso pode ser interpretado como sinal de respeito ou até mesmo de poder.


Na cena 3, eu cruzo os braços quando sou questionada se estava me sentindo bem durante a historia do Rato. Com esse gesto eu tento transparecer que estou infeliz, em negação, pois estava ainda molhada e não estava gostando disso. 


Outro que também utilizo na cena 8 quando entra o cortejo é segurar as mãos na frente do corpo como sinal de timidez ou desconforto e estranhamento.


Também utilizo o levantar de mãos ou dedos quando quero ser ouvia em meio ao caos como nas cenas 3 (momento da discussão de ideias pra se secar) e 8 (momento em que o cortejo sai após a sentença de morte dos jardineiros).


Em se tratando de expressão facial eu tento variar de acordo com o que estou vivendo na cena. Se estou ouvindo algo triste eu faço expressão de dó, por exemplo. 
Assim como em momentos absurdos como, ser presenteada por Dodo com um dedal que já era meu desde o início. Nesses momentos eu tento expressar ironia.

Sinceramente nunca parei para preparar a minha voz para a Alice. Desde o inicio pensei em doar a minha própria para ela, afinal, ela é uma menina comum em um mundo nonsense.
Mas parando pra prestar atenção, minha voz não é a mesma quando entro em cena, ela muda. E dependendo da cena, tem alterações de volume e humor (sim, humor, tipo quando você diz que tal melodia é triste ou alegre, é mais ou menos isso).

Na cena 8, por exemplo, o Adriano (Rainha) pergunta para mim (Alice) qual é o meu nome e eu respondo educadamente com uma mesura, logo após, ela (Rainha) pergunta quem eram os que estavam ao chão e num tom irônico e debochado eu respondo que isso não era da minha conta. 
Assim como todo o dialogo de Alice com a Rainha na hora do jogo de forca, no qual tem uma mistura de receio e respeito no meu tom de voz.

Deixando Alice um pouco de lado para cozinhar...


Cena 6: Porco e Pimenta...

Nessa cena serei umas das cozinheiras. Fisicamente, bom, ela ta sempre cozinhando e mexendo a panela rs.
Só para pra discutir com os outros cozinheiros e para jogar coisas na Duquesa e no bebe.
Na verdade eu brinco mais é com expressões faciais. 

Tenho a minha cozinheira como uma louca psicótica, rsrs.
Ela esta sempre aérea, dando atenção apenas para a comida e sua obsessão por pimenta.
Sempre com um olhar fuzilador que expressa sua insanidade.


Na hora da cantoria ela até se da ao luxo de esboçar uma dança, mas nunca perde o ar insano.
Ela também reage histericamente (fisicamente falando) a qualquer coisa dita pela Duquesa ou por Alice, mas nunca perdendo o foco na comida.


"Mais pimenta! Mais pimenta!"... Ela realmente curti um quente, rs.

Um chá para loucos...


Saindo de cozinheira para uma presidiária do tempo em volta de uma mesa imaginária, tomando chá imaginário...

Meu trabalho com essa personagem é bem agitado... Na verdade eu me inspirei em gente drogada, rsrsrs.
Bom... é verdade, é como se a personagem tivesse travada de cocaína e está em ritmo acelerado contrapondo o Dormidongo que parece ter fumado maconha em excesso, rsrs.


Admito ter me inspirado muito na Lebre de Março do filme do Tim Burton para compor a personagem.

Em questão de essência, já que não sou nem Chapeleiro e nem Lebre na cena porem falo como voz de ordem, me dou ao luxo de acreditar que minha personagem é a junção das duas personalidades principais da cena (Chapeleiro e Lebre).


Estou ali como um joguete de memória, para lembrar ao Chapeleiro para ele contar como ficamos presos no tempo, para instigar o caos e alfinetar Alice quando der... É como se eu fosse o grilo falante deles, a consciência...Uma mistura de modos e de loucura.

Ciranda lagostal e julgamento...


No final da cena 9 juntando com a 10 eu fico de "povo"... Pensei em uma coruja como mascara mas o bico não ficou parecido com o de uma, rsrs.


Também pensei em por penas mas acho que não vai dar certo. :/


Enfim, ainda vou trabalhar nisto...
Estou utilizando viewpoints para os movimentos e gestos em cena até o momento da canção e dança.
Não tenho falas nesta cena e minha voz se mistura ao coro quando cantamos...

Na cena 11 estou como jurada escrevendo tudo o que digo ou ouço no chão com um giz. Normalmente interajo com a Thais que é outra jurada e esta do meu lado, e é interessante pois ela entra do espírito da coisa e me acompanha nos movimentos como um campo de visão, até que ela começa a bater palmas e é pega pelo guarda Allan, rs.

Blecaute...


No fim da cena 11 assim que olhamos para a Alice pois era será a próxima testemunha, as luzes se apagam.
Nesse momento vou me posicionar com Felipe e Diogo para ajudarmos a Sami a se vestir para a cena 12 no qual ela é Alice dark.

Após esse acontecimento vou para o meu lugar e me posiciono junto ao PH e a Thais no "banco do júri".
Nós ficamos imóveis por sugestão de PH, até que Alice vivida por Brenda nesta cena nos "derrube" pois esta grande demais.


Assim que nos levantamos nós começamos a interagir entre nós mesmo e o que é dito em cena.
Como, por exemplo, parar de escrever assim que o Coelho diz ter mais uma prova e prestar atenção no que ele diz.
Também nos assustamos com os gritos da Rainha e puxamos o saco do Rei quando necessário. 
Em alguns momentos escrevemos uns nos outros e também discutimos sobre "importante" e "desimportante".

E o final???


Digamos que o final esta incerto ainda... Antes o final era com Alice derrubando todo mundo e nós cambaleávamos pelo espaço até cair no chão enquanto as Alices dark's narravam a situação toda até o final da peça...


Mas agora o final será mudado e eu ainda não sei como ficará. 
Lembro de terem dito algo como uma foto... Em que todas as Alices entram em cena, durante um blecaute, para ficar junto a Brenda como em uma foto de família... Bom, teríamos de testar isso afinal eu sou Alice e estou como júri na cena 12 e Isa que também é Alice esta como Rainha na cena 12, teríamos de testar por causa da troca de roupas.


Bom, por enquanto é isso. Caso haja mais ideias eu posto por aqui...



domingo, 2 de outubro de 2016

AULA DE CORPO II dia 29/09/16

MAIS CHÁ!!! & A mesa andante...

Seria ele a minha sombra ou um alter-ego meu?


"Chá, chá, eu quero mais chá..." 
É... Foi uma loucura, não lembro o que me deu na cabeça ou então se eu esqueci o que ia dizer só sei que comecei a gritar "CHÁ, EU QUERO MAIS CHÁ!". Alias, nem era para eu falar eu acho, afinal, nem era para eu estar nesta cena.

Capitulo 7.
Um chá de loucos.

Antes mesmo da montagem começar eu e Isabela estávamos conversando e ela expressou para mim o desejo dela de fazer a Alice desta cena. E eu apoiei, lógico.
Até disse que faria com ela caso a proposta de serem 2 Alices na cena fosse mantida.
Porem ao pensarmos na elaboração da montagem e de como ficaria a questão da mesa em cena, tudo foi mudado.
Pegamos uma proposta do Adriano e acrescentamos com ideias que outras pessoas (que não me lembro quem) deram como sendo um problema a resolver.

A ideia inicial era ter cadeiras no palco para a "plateia" se sentar e tomar chá com os Chapeleiros, Lebres e a Alice, enquanto isso uma mesinha com rodinhas era empurrada de uma ponta a outra da mesa imaginaria.
Eu vi aquela mesa como uma espécie de pendulo que ia de cá pra lá a medida de quem ia falando, tipo, "toma a fala pra você" e jogava a mesinha e quem pegasse a mesinha tinha a vez de falar.

O problema a resolver em cena era como Alice iria se sentar pois "NÃO TEM LUGAR!". E não tinha mesmo, todas as cadeiras estavam ocupadas. 
Isabela teve uma ideia brilhante de se sentar no colo da Thais, rsrsrs.


Nosso desenho corporal em cena era de tomar um chá imaginário, pois não haviam xícaras físicas e muito menos o chá em sí, então apenas fizemos a mimese a ação.


Eu realmente não tinha a intenção de abrir a boca em cena, afinal eu tenho uma cena logo após esta e ficaria complicado para mim em questões de figurino fazer uma troca tão rápida de personagem, então a minha intenção era nem estar nesta cena, porem algo aconteceu, eu explodi e comecei a falar... Falei falas da Lebre, falas do chapeleiro e até as da própria Alice quando a Isa esquecia, o "MAIS CHÁ" foi tipo a minha solução para preencher os "vazios" cênicos.
Tipo... Quando a cena começou todos nós gritamos "Não tem lugar!" quando Alice entrou, a partir daí pensei em deixar que os outros falassem, mas eu não me aguentei. Assim que a Isa falou e eu percebi que que houve esquecimento da fala por parte de quem ia realmente falar eu me obriguei a entrar. rsrs
Alias, se não me engano, a própria Isa errou a fala, ela mesma pediu o vinho ao invés de esperar que a Lebre a oferecesse.

“Tem lugar até demais!” disse Alice indignada, 
sentando-se numa grande poltrona numa das cabeceiras da mesa.
“Tome um pouco de vinho”, disse a Lebre de Março num tom muito amigável.
Alice olhou em toda a mesa; não havia nada senão chá. 
“Não estou vendo vinho algum”, observou ela.
“Não tem mesmo”, disse a Lebre de Março.
“Então não foi nada educado da sua parte oferecê-lo”, disse Alice, brava.
“Também não foi educado da sua parte sentar sem ser convidada”, falou a Lebre de Março.

Quando percebi o erro e vi que o pessoal ia atropelar todo o dialogo eu praticamente gritei pra Isabela: "MAS NA MESA NEM TEM VINHO!"
Eu sem querer acabei como a Lebre de Março e, de vez ou outra, quando eu sentia falta de alguma fala do Chapeleiro ou até mesmo da própria Alice eu as dizia também.

O momento onde eu grito pela primeira vez "MAIS CHÁ!" foi porque eu percebi que todos em cena haviam esquecido a fala e começou então um silêncio sepulcral (o que eu chamei de vazio cênico), e como o teatro exige rapidez para que as coisas fluam, gritar por mais chá foi a minha solução para o problema. E acabou que isso se tornou uma regra de jogo bem divertida. O caos causado pelos meninos que vinham e nos serviam era genial para o preenchimento desses vazios causados pelo esquecimento de falas.

Em cena pelo que entendi, haviam 2 Chapeleiros ou pelo menos deveriam haver, 2 Lebres de Março, um Dormidongo e uma Alice.
Bom, eu identifiquei o Alberto como um dos Chapeleiros, não consigo lembrar quem foi o outro (talvez eu, rsrs). 
Lebre de Março eu sabia que era o Eduesley pois ele havia me perguntado as falas da Lebre antes da cena começar. A outra Lebre creio que tenha sido eu mesma, já que não lembro de mais alguém além do Eduesley que tenha dito as falas.
O Dormidongo foi o Bisi e a Alice foi a Isabela. :)


Essa dualidade das personagens Chapeleiro e Lebre me deu a ideia de sombras ou então que cada um tinha o seu alter-ego. 
Alter-ego significa "um segundo eu" ou "pessoa em quem se pode confiar tanto quanto em si mesmo" e isso cabe bem nesta cena onde 2 Chapeleiros e 2 Lebres compartilham falas como se fossem a mesma pessoa ou então a mesma alma em corpos separados. É bem interessante pensar assim, seria mais interessante ainda se houvesse uma Lebre masculina e uma feminina por exemplo, assim como um Chapeleiro masculino e um feminino, visualmente ficaria bom, seria um contraste de saias e calças. 


E isso talvez fosse melhor para mim pois, por exemplo, se eu fizesse a Lebre feminina eu precisaria só jogar um casaco ou um fraque por cima do vestido e assim que acabasse a cena eu tiraria o casaco e estaria pronta para a minha cena de Alice que seria a próxima.


No mais acho que o Bisi precisa se familiarizar com a historia do poço de melado pois ele não se lembrava e foi pedindo chá o tempo todo.
Assim como a musiquinha que ficou faltando e que eu acho muito fofa. ><

"'Pisca, pisca, morceguinho,
Aonde vais nem adivinho.’
Você conhece a canção, não é?”
“Já ouvi algo parecido”, disse Alice.
“E continua, sabe”, emendou o Chapeleiro, “assim:
‘Lá no céu, como travessa
Para chá, voas depressa.
Pisca, pisca'


Apesar do "desaniversário" não existir nos livros eu acho essa cena do desenho bem bonitinha e no final tem a musica do morceguinho, apesar de ser o Dormidongo e não o Chapeleiro quem canta no desenho (no livro quem canta é o Chapeleiro).

Bom, no momento não tenho muito a dizer desta cena, então, por enquanto é só... Até a próxima.


domingo, 25 de setembro de 2016

JOGOS TEATRAIS II dia 21/09/16

Sem Croquet & Um novo jogo a escolher...

"Tinta, ninfas e carnaval"

 
Capítulo 8.
O Campo de croquet da Rainha.

Esse foi o capítulo do qual tirei um trecho para fazer a cena do dia AULA DE VOZ II dia 09/08/16

Por sorte eu sabia tudo de cór ainda, mas claro que a pequena revisão que fiz com a Re antes da cena me ajudou em muita coisa que talvez me passasse despercebido.

Primeiramente vou fazer uma coisa que talvez eu nunca tenha feito por aqui até agora... 
Nas minhas aulas da oficina de jogos eu aplico nos meus alunos o "gosto, critico e sugiro", e eu percebi o quanto esse exercício é importante estando aplicando ele como professora do que "recebendo" ele como aluna.

Bom... Eu CRITICO. A mim mesma. '-'
A verdade é que eu não estou satisfeita com o que estou fazendo em cena nos ensaios sendo Alice. Sinceramente da vontade de pedir pra fazer tudo outra vez pois na primeira ficou mó bosta (perdão pela expressão). Sinto muita cotidianidade em mim quando estou fazendo a minha Alice. Talvez porque eu, la no fundo, acho que deva ser assim pois ela é uma garotinha comum num mundo nonsense e fantasioso. Mas mesmo assim sinto uma carência de um corpo mais dilatado e cênico que faça jus a minha dilatação mental e imaginária. 
Na verdade, creio que meu método mais eficaz seja a exaustão, se é que posso chamar assim, que é repetir a cena até sentir ela perfeita. Alias, eu costumo ligar muito palavras à imagens então ficaria bem mais fácil para mim decorar as falar já as dizendo em cena, pois assim meu corpo registraria a ação física em suas memórias e junto na memória corporal registrada também viria a memória vocal de tudo dito em cena.
A prova disso é o fato de que uma consigo me lembrar de cada detalhe e fala de filmes que eu vejo no mínimo 2 vezes sem nenhum problema, porem com livros é diferente, sou obrigada (uma obrigação prazerosa por sinal) a visualizar internamente com a minha imaginação cada cena e cada dialogo, então eu praticamente crio um filme inteiro em minha mente com imagens para poder encaixar estes diálogos e narrativas pois só assim consigo memorizar e não esquecer o que li.


Enfim... Descobri que eu consigo dividir bem o meu foco quando eu não to fazendo nada rsrs.
Quando eu tava esperando minha deixa para entrar em cena que de acordo com o livro é após eles terem o dialogo:
"Presta atenção, Cinco! Não salpiques tinta para cima de mim!"
"Não posso evitar", disse o Cinco, em um tom amuado; "Sete empurrou meu cotovelo".
Nisso o Sete olhou para cima e disse: 'Isso mesmo, Cinco! Sempre a colocar a culpa nos outros!"
"É melhor não falar!" disse o Cinco. "Eu ouvi a Rainha dizer que ontem você merecia ser decapitado!"
"Para que?" disse aquele que falou primeiro.
"Isso não é da sua conta, Dois!" disse o Sete.
"Sim, isso é da conta dele!" disso o Cinco, "e eu vou dizer-lhe, foi por trazer as raízes de tulipa do cozinheiro em vez das cebolas."
 Até então eu só estaria ali observando-os e eles nem notariam minha presença até que eu perguntasse:
"porque estão a pintar essas rosas?"
 Até a minha fala inicial deu pra eu dividir meu foco entre certas coisas...
Primeiro, o pessoal do "cortejo" salve algumas exceções não tava nem aí pro que tava rolando em cena no tatame e ficaram de conversinha paralela e isso me incomodou muito pois pensei que eles não iam saber a hora certa de entrar em cena.
Segundo, a posição das "rosas" da roseira. Se a ideia era cada uma ser uma rosa de uma única roseira, a posição delas mato a ideia, pelo menos ao meu ver. (logo mais abaixo eu explico a minha "visão" de como poderia ser a roseira)
Terceiro, vi que Diogo e Felipe estavam demorando muito para iniciar um dialogo, eles podiam ter feito todo aquele trabalho corporal lindo já dialogando. Ao meu ver eles já podiam ter puxado um "Presta atenção! Não jogue tinta em mim!" logo na primeira topada que eles dão um no outro. E essa demora no dialogo me fez fica meio sem ação, tipo, qual é a minha deixa mesmo? E a deixa só rolou aos 45 do segundo tempo.
E em quarto, ainda consegui prestar atenção no comando da Rejane a tempo de eu entrar em cena rsrs.

Os meninos de Cartas jardineiras estavam ótimos, gostei mesmo. Diogo principalmente, ele internalizou bem a personagem. :)

As rosas também estavam ótimas... Adorei o trabalho de corpo delas, a extracotidianidade delas com as mãos e os movimentos da cintura escapular. Todo esse mexe e remexe todo me deu muitas idéias visuais lindas, porem... Algo que me incomodou muito foi o fator "FILA" que elas fizeram.

Gosto de sites de imagens e um dos meus favoritos é o Pinterest, lá eu pesquiso vários tipos de arte, uma mais linda que a outra. E lá eu encontrei algumas imagens de formas corporais lindíssimas que expressam bem a minha visão da "roseira".
As imagens abaixo são só para exemplificar.


Não sei se vai dar pra entender o que eu imagino mas... É como se elas fossem parte de uma coisa única, afinal elas são as rosas de uma roseira e não apenas 4 indivíduos avulsos, elas são uma unidade, uma deidade.
Ficaria lindo elas todas juntas, como que se fossem unidas por um mesmo caule e só a parte de cima do corpo delas se mexesse do mesmo jeitinho que elas fizeram em cena. :)
Na verdade eu associei o movimento delas com danças feitas por dançarinas de Tribal Belly Dance que é uma espécie de dança do ventre que eu acho muito linda.


E como eu tenho um certo afeto por coisas míticas eu tive mais uma livre-associação. Na minha visão interna as rosas da roseira são na verdade ninfas, seres da natureza, como se fossem fadas ou algo do tipo.
Eu tive essa associação graças a uma série de lembranças que tenho de um livro ilustrado que falava sobre fadas, duendes e gnomos. Neste livro havia uma enciclopédia das fadas onde tinham varias imagens de varias fadas de tipos diferentes. E haviam fadas/ninfas que se pareciam com flores. Algo como a imagem abaixo:
Então porque não transformar essas rosas em ninfas? E isso da acesso ao "mítico" ou "divino" que existe na natureza e como as atrizes vão estar "se mexendo" toda vez que forem "pintadas" isso pode remeter ao "negativo" de se mexer na natureza.
Isso pode soar como uma critica em forma de performance.


Podemos fazer tipo umas coroas com galhos e pétalas de rosas mesmo... 
 

E vestidos com rosas brancas de enfeite para que possam ser pintadas... 




Bom... é só uma ideia. 


O Cortejo da Rainha de Copas...
Significado de CORTEJO: procissão, comitiva, por vezes pomposa, que segue pessoa ou grupo de pessoas, ger. de excepcionais qualidades, a fim de lhe(s) prestar homenagem ou expressar respeito; séquito
Lógico que me veio algo bem majestoso e até mesmo carnavalesco nesta parte da cena, onde o cortejo é descrito como:
"Primeiro surgiram dez soldados armados com maças.
Eram todos iguais aos jardineiros, retangulares e achatados,
com as pernas e os braços nos quatro ângulos.
Em seguida vieram dez cortesãos, paramentados com diamantes em forma de losangos.
Caminhavam de dois em dois, assim como os soldados.
Depois vieram os infantes reais, também em número de dez,
saltitando alegremente de mãos dadas, em pares, todos enfeitados com corações.
Atrás vieram os convidados, na maior parte Reis e Rainhas;
entre eles Alice reconheceu o Coelho Branco,
que conversava de maneira apressada e nervosa, sorrindo para tudo o que diziam:
passou por ela sem notar sua presença.
A seguir veio o Valete de Copas, trazendo a coroa do Rei numa almofada de veludo vermelho.
Por fim, encerrando este grandioso cortejo,
vieram O REI E A RAINHA DE COPAS."

 Soldados armados de maças... É lógico, Alice é uma menina que talvez não tenha familiaridades com armas e tenha associado as pontas das lanças com maças espetadas, isso da um ar de inocência a ela.


Outra coisa que devemos levar em conta é a distribuição hierárquica do cortejo, a narrativa já mostra como deve ser... Primeiro vem a proteção, a guarda da rainha, que são os soldados armados de "maças".  Em seguida os cortesãos que nada mais são do que pessoas que frequentemente estão presentes na corte de um rei. De forma geral, se trata de homens que compõe uma corte. Este pode exercer diversas funções, desde entreter o rei com músicas, conversas, jogos e danças, a exercer cargos de importância, tais como dar conselhos e ajudar na formação do príncipe. A mulher que tem tais funções é uma dama de companhia para a rainha. Depois vem os infantes, saltitando e dançando, infantes são os príncipes, filhos pequenos dos reis e rainhas e como são crianças tudo se torna brincadeira para eles.


Gostei da ideia do Adriano de fazer um tipo de campo de visão onde todos os infantes girariam em volta da rainha junto as cartas jardineiras ao implorarem para não serem decapitados.

Logo após, vieram alguns convidados e entre eles estava o Coelho Branco.

Em seguida vem o Valete de Copas, segurando a coroa do rei em uma almofada.


E por fim e mais importante... O REI E A RAINHA DE COPAS. Com ares bem soberanos, contrastando com os demais.

Ao ver isso em cena eu recordei dos carnavais de Veneza que vi em alguns filmes por aí, onde pessoas em trajes luxuosos saem em procissão...


Talvez seja por causa da música e porque todos estavam "dançando" e não só os "infantes".

Alias, o carnaval de Veneza também me deu uma ideia para algo que Rejane tinha dito no começo, de que talvez os soldados podiam estar vendados... Como as vendas, dependendo do tecido, atrapalhariam a visão dos atores em cena, que tal então venda-los com renda? Afinal a renda é vazada e daria perfeitamente para ver através dela, daria poética e ficaria algo sensual e contemporâneo.


No fim da montagem da cena houve a decisão de substituir o jogo de croquet por outro. Por enquanto ainda estamos discutindo isso e quem sabe logo logo teremos uma boa ideia.

Bom... Até o momento eu creio que é só isso que tenho a oferecer. rsrs
Então... Até a próxima.