segunda-feira, 27 de junho de 2016

AULA DE CORPO dia 06/06/16

Último ensaio PLASTIC BODY


Gimnica... Tambor... A escuridão iluminada por luzes de refletores e lanternas... A escrita no corpo e por fim... A magia.


Foi assim que me senti naquela atmosfera...


O nosso corpo parece seguir cada comando das batidas do tambor que casam perfeitamente com as falas internas proporcionadas pela leitura dos poemas e tudo isso explode em um grande ballet de sentimentos.


Porem eu não vou me prolongar muito aqui, afinal já escrevi sobre a performance nas postagens: AULA DE CORPO dia 30/05/16

Eu to aqui pra falar de algo diferente que aconteceu comigo durante o campo de visão.
Em certa altura a Rejane me colocou para guiar um dos campos de visão e sinceramente não lembro quem eram os outros só lembro de um, o Alberto, e eu vou explicar o porque...
Teve um momento muito estimulante e ao mesmo tempo confuso para mim.
Alberto estava liderando um grupo e eu outro quando de repente eu e ele nos cruzamos no meio do tatame e ele começou a interagir comigo e obviamente o grupo dele também, isso foi muuuuito estimulante para mim em termos de ações físicas pois eu podia responder a imagem corporal dele com a minha e assim meu grupo com o dele. Foi muito lindo, porem isso me confundiu um pouco pois não sabia ao certo se eu poderia estar respondendo ao Alberto ou tinha que continuar a performance normalmente.
Bom, eu correspondi ao Alberto por alguns minutos e depois voltei para o meu próprio seguimento de campo de visão.
Foi uma experiência muito boa, parecíamos dois seres únicos que acabaram de descobrir a existência um do outro e começam a interagir. 
Era como uma ação sobre o outro, só que sem encostar um no outro.



JOGOS TEATRAIS dia 01/06/16

Branca de Neve, 7 anões e um caos agoniante...


Aula na sala 12....Aula não, na verdade era ensaio para o dispositivo de jogos...
A Brenda precisava treinar e graças e Deus eu tinha um roteiro pro dispositivo já impresso. Então dei ele para a Brenda e então começamos a nos dividir e escolher nossos grupos.

Normalmente eu sempre jogo com o Felippe e a Brenda, mas, nesse dia o Felippe se eu não me engano faltou e a Brenda... Bom... Ela já ia ser a "locutora" dos jogos e não poderia entrar em grupos para improvisar.
Nesse dia então eu improvisei com Adriano, Thais Lemos, Eduesley, Kelly, Dulce, Isabela e Sancler.
E sim... Estávamos em 8 no grupo.... E sim... Era um grupo enooorme.

Eu queria construir uma improvisação com base na historia da Branca de Neve e os 7 anões e para isso eu quis mais 7 pessoas comigo no grupo.


Quem:
  • Adriano - Branca de Neve
  • Dulce - Mestre
  • Thais Lemos - Atchim
  • Eduesley - Feliz
  • Kelly - Soneca
  • Sancler - Dunga
  • Isabela - Dengoso
  • Mari (Eu) - Zangado
Onde:
Funeral da Branca de Neve.

O que:
Tentando acordar nós mesmos a Branca de Neve porque o príncipe não veio.

As regras eram:
  1. Toda vez que alguém dissesse Branca de Neve todos nós parávamos e olhávamos para a plateia por 5 segundos.
  2. A personagem Atchim só espirra, então, toda vez que ela (Thais/Atchim) falasse éramos nós (todos ao mesmo tempo, menos a Thais) que iríamos espirrar.
O jogo começou bem, a primeira vez que executamos a 1ª regra foi muito bom, todos se espantaram na hora e rolo o efeito que eu queria. A primeira vez que executamos a 2ª regra também deu tudo certo e tiramos boas risadas da galera.
Porem algo meio que perturbou o andamento do jogo e acabando a gente esqueceu de executar as regras direito. quando eu escolhi o meu grupo eu vi que faltava um para ser o Dunga e então eu vi o Sancler e pensei "pronto, achei o Dunga" porem, não aconteceu como eu imaginava.
Quando falei pro Sancler que ele seria o Dunga eu fui bem clara nas coisas que ele NÃO podia fazer e no que ele podia, lembro que no ultimo ensaio e ele estava no grupo da Ju ele meio que deu um chute no Diogo e o Diogo estava com a perna machucada na ocasião, então disse a ele: "Olha, o Dunga não fala, ele é mudo, basicamente ele só é uma personagem meio atrapalhado e muito inocente que anda de um lado para o outro."


Não digo que a culpa de não ter dado certo foi dele, mas também não da pra negar o caos que o jogo se tornou. Para começar a Branca de neve estava dentro de uma sepultura então nem era para mexermos nela, no Adriano no caso. Teve um momento em que eu até tentei tirar geral de cima do Adriano dizendo "Se ela tiver chance de sobreviver então é melhor deixar ela respirar né gente."
Lembro de que o Zangado era minha personagem mas na verdade eu realmente tava ficando zangada com a situação, o Sancler não foi o Dunga o Sancler foi o Sancler e ele conseguiu destoar do real "roteiro" (se é que posso chamar assim) roubando o foco só pra ele, eu sinceramente nem ouvi a voz da Kelly, da Isabela e da Thais durante a improvisação porque tudo tava um caos. :/

Bom... Depois desse desabafo eu vou por um vídeo para descontrair:

rsrs


SiFuXiPa!

 Aquecimento vocal


O bom ator precisa treinar bem a sua voz...
Principalmente se você é ator de teatro, pois é preciso projetar a voz e se fazer ser ouvido por todos no ambiente em que se encontra.
Os exercícios com base no diafragma (é um músculo estriado esquelético em forma de cúpula e principal responsável pela respiração humana) são muito bons para quem esta começando...

SI-FU-XI-PÁ


SI: Faça este som com se fosse uma panela de pressão (vc irá sentir o abdômen contrair, caso contrário estará fazendo errado);

FU: Faça este som mordendo levemente o lábio inferior, novamente imitando uma panela de pressão (contração do abdômen);

XI:
Como se estivesse liberando o ar comprimido de uma panela de pressão (contração do abdômen);

PA:
Como se você quisesse preencher todo o lugar com este som.


Achei um vídeo no qual o cara ensina mais ou menos como deve ser feito...





Enfim... Eu só postei isso aqui para poder ter registrado mesmo e não esquecer mais. ok?! :)



domingo, 26 de junho de 2016

AULA DE CORPO dia 30/05/16

Escrita no corpo e revelação da alma...

Mais um dia de ensaio e treino para o work-in-progress PLASTIC BODY que será apresentado dia 13/06.

Estávamos no gimnica e decidimos que seria um belo gesto cênico escrever coisas referente ao que nós pensamos ou sentimos ou então coisas sobre o poema que escolhemos para ler em nosso corpo quase nu. 


Quase nu? Admito que não gostei muito da ideia, a proposta era fazer a performance usando apenas um topper ou sutiã que fosse da cor da saia... E sinceramente eu não quero mostrar a barriguinha não (rsrs), além do mais, meus seios são bem fartos e quase nunca consigo achar sutiã do tamanho certo e por isso eles meio que "saem do lugar" quando eu faço movimentos bruscos. Então performance quase nu, pra mim, não rola. ><'

Mas eu do meu jeito, vou de blusa regatinha. 

Então começamos a nos escrever, uns aos outros, meu poema falava de amizade então eu escrevi:
"Amizade, escolha, pupila, loucos, santos, alma, cara e avesso"

Para o ensaio foi utilizado uma caneta pilot e sinceramente acho que ficou ruim, pois o suor lavava a escrita do corpo e em menos da metade da ação já estávamos "nus" de novo.



Depois de tanta ação sobre o outro... Tanta fala interna... Tanta ação física. Eu acabei ficando sem fôlego para recitar meu poema no microfone, porque caso vocês não lembrem, durante a performance haverá a leitura dos poemas no microfone assim como o acompanhamento do tambor durante toda a ação. :)

Isso me faz pensar que pro dia mesmo eu vou precisar ler meu poema logo no começo, porque eu realmente fico destruída com toda essa ação com o corpo. 

AULA DE VOZ dia 24/05/16

Roda de blues, floresta sinistra e... Final nostálgico.

Neste dia nós continuamos os ensaios para a apresentação de voz.
E nesse dia nos incluímos um final bem nostálgico para ela... Canções e cantigas infantis.

Como foi falado na postagem AULA DE VOZ dia 26/04/16
Primeiro vem o blues e depois a floresta sinistra, mas antes de tudo isso vem as marchinhas de carnaval ^^
É... Marchinhas... Eu havia me esquecido de mencionar que antes de tudo cantaríamos as marchinhas mencionadas na postagem AULA DE VOZ dia 10/05/16

E assim tudo começa com um grande carnaval de expressões e fala interna. :)


Então, stop! Todos quietos e expressivos... Começa o Blues puxado por Allan.


Estátua de novo e suspense... No palco um bosque ou floresta com um ar de sombrio.


Se essa rua, se essa rua fosse minha. Eu mandava, eu mandava ladrilhar. Com pedrinhas, com pedrinhas de brilhante. Para o meu, para o meu amor passar...


A partir da cantiga puxada por Annie, então começamos novamente a formar um roda para "abraçar" o publico. Após a roda formada começamos a nostalgia ressuscitando musicas que fizeram parte de nossa infância. 


Músicas e cantigas tais como...
A primeira lógico com a Annie:

 
A segunda é com a Isabela e se chama "A Casa":


3ª era com a Monycke "Alecrim": 


A quarta era com a Camburizinha (vulgo Thais Furtado) a música era "Meu Limão, meu limoeiro":


A quinta é "Ciranda, Cirandinha" com o Alberto:


A sexta "Escravos de Jó" vem na voz de João Pedro:


Sétima música é "Homenzinho Torto" com a Amiris:


A oitava vem com a Brenda e é "Borboletinha":


A 9ª é "Atirei o pau no gato" com a Sami:


A décima canção é "Pintinho Amarelinho" com o Thiago:


Em 11ª vem a canção "O sapo" com João Camilo:


Em 12° lugar vem Allan com "Pirulito que bate bate":


 Em 13° lugar vem Caio Pereira com "A barata":


Em 14° lugar vem Nicole com "Samba lelê":


Em 15° lugar vem a canção "Cabeça, ombro, joelho e pé" com o Matheus:


Em 16° vem Ananda com "Cinco patinhos":


E por fim em 17° vem o Angelo encerrar com chave de ouro com o clássico "Super fantástico" do Balão mágico:


E assim termina a nossa apresentação de voz que com certeza vai causar catarse nos convidados presentes.




quarta-feira, 22 de junho de 2016

AULA DE CORPO dia 23/05/16

Quem, onde e o que?


Aula na sala 12... Na verdade não era uma aula e sim uma espécie de ensaio do dispositivo de jogo que vamos fazer no lugar da peça "Sente-se quem puder"...

Nesse dia a Rejane nos pediu para fazer uma espécie brainstorming para escolhermos boas circunstâncias de jogo.
Então eu e my brother Felippe chamamos a Monycke, Thais Mota e João Pedro para escolhermos as circunstâncias e o problema a se resolver... Nós tivemos um papo cabeça sobre as regras que seriam usadas e então nós decidimos...

Quem: Cada uma tinha seu quem especifico...
  • Felippe era Jorginho, um rapaz hétero cuja a mãe não aprova a heterossexualidade dele e nem o fato dele querer casar com Janette (Thais Mota).
  • Monycke era Dona Fulana, mãe de Jorginho e que nutri um preconceito contra héteros, querendo assim que Jorginho se relacione com Braulinho (João Pedro) para que possa redescobrir a sua homossexualidade.
  • Thais Mota é Janette, uma moça da cidade que namora Jorginho, dessa maneira, acaba por ser alvo da raiva de Dona Fulana.
  • João Pedro é Braulinho, um rapaz homossexual que tem fama por sua vaidade e é cobiçado na cidade. Ele nutri sentimentos por Jorginho com quem já teve um affair quando mais novo e por isso ele tenta de todas as formas reconquista-lo.
  • Mariana (eu) é Dona Desdemona, mãe de Braulinho e amiga de Dona Fulana. Dona Desdemona tem muito orgulho de seu filho e faz de tudo para ajuda-lo a reconquistar Jorginho.

Onde: Na casa de Dona Fulana.
O que: Tentando convencer Jorginho a Voltar a ser gay e ficar com Braulinho.

As regras do jogo:

Regra 1: Toda vez que for falado algo relacionado com casamento todos devem brindar.
Regra 2: Quando alguém cruzar os dedos para você você tem que por o dedão na boca e continuar falando com ele na boca.
Regra 3: Toda vez que alguém falar Janette todos batem as mãos de lado e bate o pé direito no chão ao mesmo tempo, falando Janette.

Aí então nós jogamos.

domingo, 19 de junho de 2016

AULA DE VOZ dia 17/05/16

Poema, fala interna e agora vai...


Nesse dia nós novamente treinamos os poemas e a Rejane pediu para que quem não conseguiu ainda fazer as falas internas dos poemas que terminasse agora... E... Eu era uma dessas. :p

Até que eu consegui fazer desta vez. ^^

Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
(Olha!)
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
(É isso!)
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
(Não quero)
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
(Eu quero)
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
(Isso não / Isso sim)
Que me tragam dúvidas e angústias e aguentem o que há de pior em mim.
(Sejamos iguais)
Para isso, só sendo louco.
(Pois...)
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
(Inspirem-me)
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
(Escuta só!)
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
(Escuta só!)
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
(Escuta só!)
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
(Ta vendo?)
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
(Não só isso)
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
(Quero alcançar)
Não quero amigos adultos nem chatos.
(Não)
Quero-os metade infância e outra metade velhice! 
(Tem que ser isso)
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
(Eu quero)
Tenho amigos para saber quem eu sou
(Porque)
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que “normalidade” é uma ilusão imbecil e estéril.
(Resumindo)


Bom... Pelo menos eu tentei né. :p rsrsrs

Sobre a aula... Alguns alunos não estavam conseguindo alcançar o apse de suas falas internas. Era como se não houvesse sentimento o suficiente para "transbordar" e eles acabavam por apenas "ler".

PAI

Desculpa o textão...


Meu pai era acamado já fazia 2 anos e eu era uma espécie de ajudante de enfermeira porque eu ajudava uma enfermeira que minha tia tinha contratado, pois além de ser acamado, meu pai tinha uma ferida na perna e isso precisava de cuidados já que ele não conseguia mais trocar os curativos sozinho. Meu pai era carreteiro e trabalhava viajando, eu praticamente fui criada só pela minha mãe e tia e foi em uma dessas viagens que o problema dele começou. Ele teve um acidente na estrada, eu não me lembro bem pois era bem pequena mas me lembro de que eu e minha mãe só descobrimos porque passou na TV, meu pai estava dirigindo e o caminhão tombou, ele saiu com vida, mas a perna foi ferida pelas ferragens e ele tinha batido a cabeça. Lembro de quando ele chegou em casa depois disso, ele não podia ficar se mexendo muito e minha mãe precisou dar banho nele, ele tinha uma parte da cabeça raspada e lá ele recebeu pontos, a perna estava enfaixada com ataduras grossas. 
Depois de um tempo a cabeça dele ficou boa, mas a perna não. Ele trocava os curativos todo dia e não tinha mudança na ferida... Ela simplesmente não fechava. 
Minha mãe decidiu que ele tinha que ir ao médico outra vez e o levou, lembro que ela pagou um tratamento hiperbárico para ele. O tratamento funcionou um pouco mas não fechou completamente a ferida, o tratamento era caro e minha mãe não pode mais pagar por ele. 
O médico disse para o meu pai para ele largar o caminhão e que era melhor ele não viajar mais, porem, meu pai é teimoso e orgulhoso e não quis... Afinal, ele só sabia fazer aquilo.
Assim que ele melhorou ele voltou a viajar, só que, outro acidente aconteceu e a perna voltou a abrir uma ferida e bem no mesmo local. De lá pra cá a ferida nunca mais fechou, porem, ele andava normalmente, saia de casa para fazer suas coisas e tudo, ele só não viajava mais porque minha mãe vendeu o caminhão. 
Há 3 anos atrás ele caiu no meio da rua, foi a primeira queda dele, como eu disse ele era orgulhoso e não queria ajuda e nem pena de ninguém, a gente só ficou sabendo por os vizinhos disseram. A partir daí eu comecei a ir com ele a todo lugar ou então eu ia pra ele resolver as coisas dele, apostas na loteria por exemplo rsrs.
Um dia ele quis ir ao supermercado e eu fui com ele, nesse dia ele teve a segunda queda. Precisei pedir ajuda aos estranhos mas ele se recusou, queria levantar sozinho. Mai pai era forte, passou por muita coisa na vida eu acho, só sei que ele sempre foi sozinho, eu não conheço ninguém da família dele, nem minha mãe conhece. Depois desse dia meu pai não saiu mais de casa. Faz uns 10 anos que meus pai eram separados, eles não dormiam no mesmo quarto, minha mãe dormia no meu e meu pai ficava com o quarto de casal. Minha mãe dizia que não suportava o cheiro que vinha dele, a perna dele cheirava mal... Ele cuidava da perna sozinho e talvez não cuidasse direito, as vezes eu pensava que talvez ele não queria mais ir ao médico com medo que amputassem a perna. Talvez isso tivesse sido até melhor...
Minha mãe já não estava mais nem aí pra ele, meu irmão é autista e não entende o que é bem ou mal, dor ou sofrimento, meu irmão vive em um universo próprio. Minha tia tinha a minha avó para se preocupar, minha avó tinha Alzheimer e esclerose múltipla. Eu não sabia o que fazer.
A terceira queda foi decisiva pra ele decidir para de levantar da cama, ele tinha perdido a força das pernas.
Há dois anos atrás ele deitou na cama e não levantou mais, pelo menos não sozinho. 
Minha avó tava que passar por uma cirurgia que tirou uma pedaço do pé dela e então minha tia contratou uma enfermeira para que cuidasse da ferida até ela cicatrizar, essa era a chance, perguntei se ela poderia ver a ferida do meu pai também. A enfermeira disse que era uma ferida muito mal cuidada e que precisaria ser limpa, minha tia decidiu ser boa pessoa e pagou um pouca a mais para que ela cuidasse do meu pai também. Porem, meu pai não levantava mais (o máximo que ele conseguia era ficar sentado) e ele precisava tomar banho, a ideia era eu segurar meu pai pelas costas, levantar ele da cama e colocar ele em uma cadeira de rodas e isso deu certo já que a enfermeira me ajudava, levávamos ele ao banheiro e dávamos banho, voltávamos ela trocava o curativo dele limpando bem a ferida e passando remédio. Tudo tava dando certo até que minha avó não precisava mais da enfermeira, então minha tia decidiu que meu pai também não. Minha tia disse que eu podia muito bem fazer o trabalho da enfermeira já que eu via ela fazer todos os dias, a partir daí fui eu que comecei a limpar a ferida e trocar as ataduras sozinha. A parte do curativo não era um problema, afinal eu realmente aprendia fazer, o problema era na hora do banho, não tinha ninguém para me ajudar a por ele na cadeira. Comecei a chamar o meu irmão para me ajudar, mas ele não conseguia fazer do jeito certo, acabei por dar um mal jeito no joelho direito por causa do esforço que eu fazia em levantar o meu pai da cama, mas depois de um tempo meu irmão conseguiu me ajudar a fazer de um jeito certo.
Bom... Minha avó morreu dia 14/06 do ano passado. Moro em uma casa de dois andares, tipo um duplex, minha tia morava com minha avó em cima enquanto eu, minha mãe, pai e irmão morávamos embaixo. Minha tia decidiu que não queria viver sozinha mas que não iria descer pra morar com a gente, ela fez a gente subir para morar com ela. Eu juro, meu pai tava muito melhor lá embaixo. Foi só ele subir que ele começou a ficar mal, ele perdeu muito peso e começou a dar feridas em outros lugares do corpo dele. Eu fiquei desesperada, ele dizia que sentia muito mais dores e nem ficar sentado ele conseguia mais, ele também começou a reclamar de cegueira. Chamei a enfermeira de volta e ela trouxe consigo um médico, eles fizeram uns exames e pediram outros, meu pai começou a tomar banho de leito. Ele precisava de exames então fomos na assistência social pedir para que eles viessem vê-lo para quem sabe ele pudesse ser internado para fazer os exames. Na segunda dia 02/05 ele começou a passar mal, ele sentia dores, e o nariz estava entupido, na terça dia 03/05 a assistência finalmente veio vê-lo, eles não ficaram nem 40 minutos com ele, só disseram que não era caso de internação, passaram alguns remédios para dor e foram embora. Na quarta ele ficou um pouco melhor de manhã, mas voltou a reclamar de dor a noite. Na quinta, de manhã cedo, eu me lembro que acordei porque minha tia e ele estavam discutindo... Ele não queria tomar o remédio. Minha tia me disse para força-lo a tomar se não ela o internaria a força, ele disse que não, não iria tomar o remédio e que não queria ser internado, ele não queria sofrer, pois toda vez que ele se mexia ele sentia dor e ele não queria sair dali. 
Eu disse para ele "vamos pai, toma o remédio, vai que ele te faz bem e você melhorar." 
Ele tomou, eu ainda estava sonolenta e voltei para a cama. Acordei meio tarde já era hora do almoço, liguei o computador pois precisava digitar a esquete da filmagem do jornal e enviar para o Burura e eu já estava atrasada com isso. Eu tinha acabado de abrir um janela de bate-papo com o Alberto e estava escrevendo pra ele que eu não tinha enviado a esquete ainda porque estava com problemas em casa mas que eu ia começar a digitar naquele momento e enviar. Eu nem tinha terminado de escrever a mensagem ainda quando eu ouvi a mulher que trabalha aqui em casa me gritar, ela gritava que meu pai estava mal. Eu corri, quando cheguei e perguntei o que ele tinha ele me disse com muito esforço que não estava conseguindo respirar, fiquei em desespero sem saber o que fazer... Minha tia estava ligando para o samu, minha mãe estava segurando um ventilador na direção dele e eu sem saber o que fazer... Não sei o que me deu na cabeça, meu pai não conseguia respirar, eu segurei ele nos braços e levantei a cabeça dele pensando que talvez isso o ajudasse a pegar ar. 
Eu vi os últimos suspiros dele, os olhos dele olhando fixos para cima, lembro da ultima vez que vi minha avó com vida e ela estava numa cama de hospital, ela estava com os olhos fixos para cima também. 
Depois que minha avó morreu minha tia fica chorando pelos cantos da casa de vez enquanto. Eu falava para ela parar e pensar que agora minha avó estava em um lugar melhor. Agora quem estava chorando era eu, Demorou para mim ver que ele estava morto, pra mim ele ainda ia dar um suspiro e voltar a respirar normalmente, fiquei chamando por ele na esperança de que ele me responderia nem que fosse com apenas um olhar. Minha mãe se desesperou ao me ver assim, talvez ela tenha pensado que eu ia enlouquecer, lembro de ouvir ela dizer ao meu namorado que estava aqui naquele dia: "Tira ela de lá! Tira ela de lá!".
Eu estava abaixada ao lado da cama segurando meu pai nos braços e elevando a cabeça dele para que ele pudesse pegar ar e gritando "pai! pai!" ele era meio surdo, quem sabe ele só não estivesse me escutando.
Jean pôs a mão no meu ombro e me disse para parar, ele me pediu desculpas e disse que meu pai já estava sem reação nenhuma e que não iria me responder não importa o quanto eu gritasse. 
Minha fixa caiu, comecei a chorar e chorava gritando, eu não pude fazer nada... 
Meu pai morreu em meus braços e eu não fiz nada...
O samu chegou só meia hora depois e chamaram o IML.
Minha cabeça estava explodindo, estava com raiva, eu culpava a assistência social, a minha tia, o samu e principalmente a mim mesma.
Por um instante eu decidi que não queria ir ao enterro. Queria me lembrar dele bem. 
Mas quem teve que reconhecer o corpo dele no IML fui eu.
Então decidi ir, e fiquei ao lado dele no velório até ele ser levado ao cemitério. Entrei mudo e sai calada, nem pra chorar eu abri a boca, meus olhos choravam em silêncio. Eu sinceramente não sei porque teve velório, ninguém se importou quando ele estava vivo, porque se importar agora? Eu só vi o meu padrinho e a minha madrinha apenas duas vezes em toda a minha vida, quando eu fui batizada (que por sinal eu nem me lembro porque eu era uma criança que nem se entendia por gente ainda) e agora, no velório do meu pai.
Eles nunca me visitaram... E nunca visitaram o meu pai. Meu pai e meu padrinho eram amigos quando solteiros e até moraram juntos. Onde ele tava quando meu pai precisou? E no enterro ele foi o que mais "falou bonito". 
Enfim... Após o enterro quando cheguei em casa eu me sentei no chão ao lado da cama do meu pai bem onde tudo aconteceu... e é sobre esse momento a minha partitura. 


AULA DE CORPO dia 16/05/16

Silêncio orgânico e lamento interno

Aula de corpo na sala de dança... Nesse dia a Rejane nos pediu para que escolhêssemos um acontecimento ou situação que teria ocorrido conosco e criássemos uma partitura em cima dela. 

Lógico que no meu caso não seria outra coisa a não ser a morte do meu pai, pois era um acontecimento recente e que mexeu muito comigo. Droga, agora que eu lembrei eu vou falar...

Meu pai morreu dia 05/05 que caiu em uma quinta feira, ele já estava passando mal desde a segunda dia 02/05, tanto que eu até comentei na postagem AULA DE CORPO dia 02/05/16 que eu não estava me sentindo bem e por isso estava desatenta na aula.


Eu tava escrevendo aqui mas de repente ficou um texto gigante. '-'
O que eu tava escrevendo esta aqui... PAI

Minha partitura foi essa:

Estou sentada, no chão do quarto e ao lado da cama onde tudo aconteceu.

Estou olhando em direção as minhas mãos que estão sobre o meu colo enquanto tento afastar de mim pensamentos de que eu poderia ter feito algo e simplesmente não fiz.

Levanto o rosto e olho para frente. 
Tento me confortar com pensamentos de que no fim isso foi o melhor que poderia ter acontecido.

Levanto o rosto ainda mais e olho para cima. 
Minha mente, mergulhada em gritos desesperados pede por perdão.

Abaixo a cabeça e miro novamente para as minhas mãos sobre o meu colo. 
Foi em meus braços, minhas mãos seguraram seu corpo enquanto ele dava seu ultimo suspiro, mãos inúteis que não fizeram nada.

Levanto as mãos e as olho com um certo desprezo. 
Passo as mãos pelo cabelo, desconsolada enquanto olho para o lado tentando fugir, mesmo que por pensamento, daquela realidade.

Deito e começo a orar, por ele, mas principalmente, por mim.
Na hora de fazer lá na frente confesso que esqueci a ultima parte. Mas creio que ficou bom.

JOGOS TEATRAIS dia 11/05/16

Mudança de planos no "Sente-se quem puder"


É isso mesmo... Mudança... Mudou tudo. '-'

Agora ao in vez de um peça baseada naquilo que nós já fizemos nós vamos fazer jogos, ao vivo, com pura improvisação e bem na hora.
Se eu gostei? Gostei... Amei... Gostei muito! ^^ :D

Adoro jogos... Sou muito fã dos "Cia. Barbixas de Humor" e ultimamente eu ando pensando em fazer meu estagio na oficina de jogos.

O grande problema que eu vi nessa mudança é em algumas das minhas colegas reclamando que não sabiam improvisar e que não queriam pagar mico na frente de ninguém. Cara... Como isso me entristecesse, afinal não foi isso que derrubou o projeto anterior? A desmotivação?! 
Cara... Como me da vontade de pegar essas pessoas e dar uns tapas pra ver se elas acordam pra vida e saem dessa neura. Parece até que elas estão sofrendo uma pressão psicológica. Se soltem meninas, afinal o dispositivo de jogos teatrais são bem relaxantes, não é esse bicho de sete cabeças que vocês pensam que é. É brincar de ser quem você quiser, onde você quer e fazendo o que quiser. ^^

Tenho ótimas ideias de regras e "quen's, onde's e o que's". Espero encontrar companheiros para essas minhas ideias. :D

Quero muito usar uma regra chamada "Estilos":


Também gostaria de usar como regras as "Frases":


Tem também o "Troca" e o "Mais e menos":


Enfim... Espero que de tudo certo lá na hora. :p

AULA DE VOZ dia 10/05/16

Carnaval e coleta de R$

Tenho que confessar uma coisa. Odeeeeio carnaval! '-'
É sério... Nunca gostei. Mas... Nesse dia eu curti fazer um com my family AC1.

A ideia era cantar marchinhas de carnaval enquanto rodávamos pelo campus "chamando a atenção" do povo para vir assistir a nossa apresentação de voz.
A aula nesse dia foi no cineteatro e basicamente nós só ensaiamos as marchinhas e a "folia". Rsrs
Até porque quase ninguém sabia as marchinhas de cabeça... Inclusive eu. ><'

As marchinhas eram... 
Você pensa que cachaça é água?
Cachaça não é água não
Cachaça vem do alambique
E água vem do ribeirão

Você pensa que cachaça é água?
Cachaça não é água não
Cachaça vem do alambique
E água vem do ribeirão

Pode me faltar tudo na vida
Arroz, feijão e pão
Pode me faltar manteiga
E tudo mais não faz falta não

Pode me faltar o amor
(Disto eu até acho graça)
Só não quero que me falte
A danada da cachaça

Você pensa que cachaça é água?
Cachaça não é água não
Cachaça vem do alambique
E água vem do ribeirão
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Olha a cabeleira do Zezé
Será que ele é?
Será que ele é?

Olha a cabeleira do Zezé
Será que ele é?
Será que ele é?

Será que ele é bossa nova?
Será que ele é Maomé?
Parece que é transviado
Mas isso eu não sei se ele é

Corta o cabelo dele!
Corta o cabelo dele!
Corta o cabelo dele!
Corta o cabelo dele!
 ---------------------------------------------------------------------------------------
Taí, eu fiz tudo p'rá você gostar de mim
Ah! meu bem, não faz assim comigo não! (est.)
Você tem, você tem que me dar seu coração!

Meu amor não posso esquecer
Se dá alegria faz também sofrer
A minha vida foi sempre assim
Só chorando as mágoas que não têm fim

Essa história de gostar de alguém
já é mania que as pessoas têm
Se me ajudasse Nosso Senhor
eu não pensaria mais no amor
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 Nós treinamos ela no cine por um tempinho...
Na instrumentação estavam Ju, Matheus e Caio Paranaguá.


Depois de muito treino nós fomos a folia pelo campus em busca de ajuda financeira pra as saias que iríamos utilizar para a performance de corpo na abertura.


Alguns colegas disseram que ao pedir ajuda aos outros alunos de outros cursos eles foram grosseiros e mal educados. Bom... Nem todo mundo gosta de ajudar, mas isso não significa que precisa ser um otário. Eu canso de ouvir pelos corredores que tudo o que acontece de "estranho" e "perturbador" é feito pela turma de artes cênicas. Quer saber? Nem ligo, fico até lisonjeada. Eles que são tão "normalzinhos" deveriam ler o poema do Oscar Wilde principalmente a parte final que diz: (...)“normalidade” é uma ilusão imbecil e estéril.

sábado, 18 de junho de 2016

AULA DE CORPO dia 09/05/16

Imagens, corpo e campo de visão.

Aula na sala de dança.

A aula começou com a Rejane nos contando que Meyerhold mostrava imagens para seus atores antes dos ensaios, para que eles adquirissem características das imagens em cena.

Então ela nos mostrou imagens em uma projeção na parede... Não me lembro direito de qual eram as imagens mas eu sei que eram algo parecido com essas...


A intenção dela era que nós absorvêssemos as imagens e transmitíssemos elas nas nossas expressões e ações físicas.

Então a partir daí a Rejane perguntou se nós tínhamos músicas que gostaríamos de por no repertório da aula, Matheus e eu acho que Felippe também, colocaram algumas músicas pop's.
A professora colocou as músicas e nós... Dilatamos.
Nesse dia eu estava triste ainda por causa de um acontecimento triste e foi exatamente neste dia que a Rejane decidiu me por como condutora de um dos campos de visão pela primeira vez...
Na hora que ela gritou meu nome eu pensei: "Não to afim, não to no clima e não vai sair nada bom de mim."
Realmente, eu acho que a minha partitura naquele momento foi o fim e o começo, o nada e o tudo, o ruim e o bom. Eu estava triste e tentava me manter forte como uma rocha para ninguém vir me perguntar "o que houve?"
E nessa partitura eu consegui desabafar, ainda bem que eu fiz ela... Foi libertadora para mim e eu acho que consegui expor todo o meu sentimento reprimido nela.
Obrigada Rejane.

AULA DE VOZ dia 03/05/16

Poema, fala interna e outro poema...

 

É... Esse lance de fala interna é algo que eu realmente não consigo transpor pro papel. Pra mim isso é algo que tem que ser sentido... Pra mim é quando você relaciona as coisas, tipo, o poema que eu escolhi eu escolhi porque as vezes a minha mãe, minha tia ou até mesmo o meu namorado ficam me perguntando o porque de eu andar com certas pessoas, o porque de eu ser amiga delas... Bom... Isso com certeza só eu sei, esta no meu interior, o lance é que para mim cada uma delas é especial por algum motivo. Então esse poema é para mim como uma resposta para as críticas sobre os meus amigos.

Mas, todavia, porem... A Rejane pediu para que colocássemos no papel nossa fala interna. Aí que... Ao in vez de criar fala interna eu acabei criando quase que outro poema.

Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
(Fico analisando)
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
(Tem que me atrair)
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
(Tem que ter algo especial)
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
(Tem que me transformar)
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
(Quero o que me diferencia)
Que me tragam dúvidas e angústias e aguentem o que há de pior em mim.
(E que seja mútuo)
Para isso, só sendo louco.
(Pois...)
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
(Quero que me inspirem)
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
(Só os verdadeiros me interessam)
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
(E não só nos momentos ruins)
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
(Quero companheiros leais)
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
(Tem que ser tudo em um)
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
(Quero honestidade)
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
(E que sejam sábios)
Não quero amigos adultos nem chatos.
(Que não sejam forçados)
Quero-os metade infância e outra metade velhice! 
(E sim equilibrados)
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
(Que saibam apreciar o bom da vida)
Tenho amigos para saber quem eu sou
(Para que eu possa me encontrar neles)
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que “normalidade” é uma ilusão imbecil e estéril.
(Porque nem tudo o que o mundo diz ser bom realmente é)


No fim das contas não deu pra mim ler lá na frente... Até porque quando eu terminei já havia batido o sinal. 


AULA DE CORPO dia 02/05/16

Novos movimentos 

 

Hoje a aula foi normal (apesar de nunca ser normal :p)

Fomos para a sala de dança e a professora nos pediu dicas de novos movimentos para aquecermos... E eles foram:
  • Beliscar o ar;
  • Socar o ar;
  • Arrastar o ar;
  • Chutar o ar.
Acho que só. '-'

Após o aquecimento a Rejane nos pediu para que resgatássemos nossa partitura corporal do Tennessee Williams ou então escolhesse alguma de algum colega para resgatar.
Não tive tempo para treinar a partitura de outra pessoa e já sabia que ninguém escolheria a minha, então, optei por resgatar a minha própria.

Nesse dia eu não estava muito bem... Meu pai estava passando mal em casa e de quebra eu tinha brigado com uma amiga.

Quando a Rejane me perguntou qual música eu queria para o fundo da performance eu respondi qualquer uma... Não porque eu não me importasse ou porque tava nem aí... É que na verdade eu não tinha prestado atenção nas músicas e sinceramente também não prestei atenção nas apresentações dos meus colegas. :/
Eu tava mal psicologicamente. E eu costumo engolir tudo.

Minha partitura era:

Movimento 1: Empurrar o ar. 
Fala interna:  Algo quer me puxar e eu não quero ir, eu luto contra isso.

Movimento 2: Me impulsiono para frente.
Fala interna:  Aquilo que queria me puxar acaba me levando.

Movimento 3: Paro e olho para o meu ombro.
Fala interna:  Alguém toca meu ombro com doçura.

Movimento 4: Viro para traz, deslizando a mão no ar.
Fala interna: Tento alcançar este alguém, eu não quero que ele se vá.

Movimento 5: Furo o ar, voltando para frente.
Fala interna:  Tento me distrair para não pensar na pessoa que partiu.

Movimento 6: Encosto o dedo nos meus lábios e o afasto com um sopro.
Fala interna: Ascendo um cigarro para relaxar.

Movimento 7: Soco a minha mão esquerda e depois levo o punho até a boca.
Fala interna: Bebo um drink qualquer na tentativa de esquecer.

Movimento 8: Furo o ar com as duas mãos em direções ao chão.
Fala interna: Jogo conversa fora com alguém, me lamentando.


Eu realmente me arrependo de não ter pedido para filmar a minha partitura, porque desta vez ela realmente saiu certinha como eu a tinha imaginado. Dessa vez eu realmente tava com uma fala interna bem dilatada. ^^


STARTE - GRANDES ATRIZES - Fernanda Montenegro.

Aqui eu decidi postar a entrevista que eu comentei na postagem JOGOS TEATRAIS dia 27/04/16


 

Roteiro da cena MACONHEIROS E A SANTINHA para o SENTE-SE QUEM PUDER



Três alunos de faculdade andam pelo campus e começam a conversar.
– Então ta véi, boto mó fé da gente matar essa aula pra ir fumar um beck. – disse Felipe.
– Boto mó véi cara, por que não? – Brenda.
– A gente esta tentando fumar desde ontem. – Mariana.
– Essa aula é muito chata véi. – Felipe.
Os três sentam no chão.
– Então, cadê? – Brenda.
 – A cachaça ta aqui. – Disse Mariana enquanto colocava uma garrafa no chão.
 Felipe pega a garrafa e bebe um gole. Nesse momento entra um moça, mas ela não interage pois ainda não os notou ali e eles também não a notaram.
 – Pega aí então e... Cadê a seda? – Indagou Brenda.
Como num coro, Felipe e Mariana falam:
 – Porra, você não tem seda?
Brenda põe as mãos na cabeça. – Porra cara, esqueci. – Diz ela chateada.
 – Pow, mas você falou que ia trazer hoje. – Felipe.
 – Pow, mas nóis fuma né véi e nunca lembra de nada. – Brenda
Nesse momento Mariana percebe a presença da moça e a chama:
 – Ou! Psiu! – Estala os dedos duas vezes – Você, vem cá... Ajuda a gente! – Inclinando a cabeça como um cachorrinho carente.
 – Por favor! – Disse Felipe.
 – Eu? Ajudar em que? – Disse a moça ao se aproximar.
Nesse momento ela é reconheci por Brenda.
 – Ei Annie, senta ae cara, chega ae. – Diz Brenda com voz manhosa.
 – Pow Annie é você?! Senta ae, vamo chegar mais... – Diz Mariana também com voz manhosa.
 – Eu? Sentar com vocês? – Indaga Annie desconfiada.
 – Senta aqui Annie. – Diz Felipe, indicando um lugar para ela se sentar.
 – A roda ta aberta. – Fala Mariana.
 – Vem. – Chama Felipe.
 – Acho que vou sentar mesmo aqui com vocês. – Diz Annie enquanto se senta. – E ae, vocês vão para a aula? – indaga Annie após sentar.
Os três meio encabulados responderam como num coro.
 – Então...
 – A gente tava querendo fumar um... Você tem seda aí? – Diz Brenda.
 – Fumar um? Pelo amor de Deus! Pelo amor de Deus! Não, não, não... Eu não gosto disso não. – Fala Annie espantada.
 – Sério? Você não gosta de uma maconha? – Indaga Mariana enquanto faz um sinal de tragar.
 – Não, mas eu tenho santinhos, olha eu vou dar um santinho para cada um – Annie levanta para distribuir os santinhos no intuito de converter os jovens.
Ao ver os santinhos (papel) na mão de Annie, os jovens tiveram uma ideia.
– Pra você. – Diz Annie entregando o papel de santinho para Brenda.
 – Isso, isso. Valeu cara! – Diz Brenda animada ao receber o papel.
– Pra você e outro pra você. – Diz Annie ao entregar os santinhos de papel para Mariana e Felipe.
– Pow, valeu cara. – Felipe e Mariana agradeceram ao receberem o papel.
Após entregar os santinhos Annie levanta a mãos pra cima, glorificando, e diz:
– Salvei vocês, que bom, vamos pra igreja gente...
Mariana interrompe Annie dizendo:
– Não, a gente vai fumar com a seda que você proporcionou pra gente! – Mari estica a mão euforicamente mostrando o papel de santinho enquanto Annie põe as mãos na cabeça em sinal de desilusão.
Nesse momento, Brenda e Felipe já estavam bolando um beck cada um com o santinho que eles tinham ganhado.
Annie ao ver o que estava acontecendo diz:
– Não, não, mas não foi essa a minha ideia...
Annie é interrompida por Brenda, que diz: – Mentira.
Felipe e Mari param oque estão fazendo e olham para Annie.
– Não, mas... Vamos pra igreja gente, lá...
Annie é interrompida novamente, mas desta vez por Felipe que também diz: – Mentira.
Annie para, pensa e diz:
– Ah! Eu não tenho mais criatividade nessa porra.
Nesse momento os três jovens já estavam com seus beck’s prontos e Mari diz:
– Pow Annie, senta logo e fuma essa maconha.
Ao ouvir a palavra maconha os três acendem seus beck’s e tragam, enquanto Annie se abana espantando a fumaça que a incomoda.
– Porra, isso ta bom. – Diz Felipe.
– Annie, senta logo ae! – Exclama Brenda, que logo após pergunta: – Mas por que você não quer fumar? Me explica ae.
– É que... – Annie tenta se explicar e é interrompida por Brenda: - Não véi, senta aí, relaxa.
Annie fica relutante em sentar (ela esta incomodada). Annie diz:
– Não, não, tem aula agora. – Annie se esquiva pra trás como se quisesse fugir e Brenda levanta para tentar convence-la.
Brenda pega Annie pela mão e trás ela pra roda dizendo: – Não Annie, vem, vamos sentar.
As duas se sentam e neste momento Felipe bate uma palma, Brenda, Felipe e Mari começam a cantar:
– Fuma, fuma, fuma folha de bananeira. Fuma na boa só de brincadeira. Fuma, fuma, fuma folha de bananeira. Fuma na boa só de brincadeira.
Enquanto os jovens cantam e batem palmas ao mesmo tempo, Annie faz abano pra espantar a fumaça.
Após o termino da musica Brenda questiona Annie:
– Annie, tipo assim, deixa eu te falar... Por que você não quer fumar?
Annie, gesticulando, responde:
– Meus pais vão brigar... – Annie é interrompida por Brenda que diz:
– Mas aí você não se diverte? Você já é de maior e fica preocupada com isso.
Enquanto Felipe e Mari brincam com um isqueiro.
– Eu me livrei dessa vida gente, agora eu to em outra... – Annie tenta se justificar, mas é interrompida por Mari que diz: – Mentira.
– Ah! Eu gosto de cantar, salvação, isso aí não vale nada... – Annie é interrompida novamente, mas desta vez por Felipe que diz: – Mentira.
– Isso aí tem veneno de rato, eles misturam tudo nessa porra. – Annie tenta alertar.
– Adoro! – Exclama Felipe.
– Isso da uma onda maneira, você tem que experimentar... – Mari animada tenta convencer Annie, mas é interrompida por Felipe que diz: – Mentira.
– Isso te deixa louca. – Continua Mari, mas Felipe diz novamente: – Mentira.
Por fim, Mari (que aparenta estar na lombra) diz:
– Cara, deita e rola com a gente nessa grama verde e linda.
E nesse momento Felipe deita e rola. Brenda diz:
– Vamos la eu boto mó fé cara.
Enquanto dizia Brenda bate uma palma e logo após todos menos Annie (que se pôs a abanar-se) cantam:
– Fuma, fuma, fuma folha de bananeira. Fuma na boa só de brincadeira. Fuma, fuma, fuma folha de bananeira. Fuma na boa só de brincadeira.
Após a cantoria, Brenda com ar de incrédula continua a questionar Annie.
– Então gente, eu não acredito que você não vai fumar, porque você não quer fumar? É isso que eu quero entender. Você já é de maior, você fumava um, é só você voltar a fumar agora véi... – Nesse momento Brenda é interrompida por Annie que levantando e quase que profetizando diz:
– Não, eu me libertei e vou libertar vocês também! Vem, vamos pra igreja agora! – Exclama Annie enquanto aponta para trás, Annie continua: – Gente apaga isso aí que a diretora ta vindo.
– Não senta aqui! – Exclama Felipe.
– Não, vamos nessa por que a diretora ta aqui, se ela chegar vai dar merda... – Annie é interrompida por Brenda que diz em tom irônico: – Chama ela cara!
– To ligada que ela é chegada. – Diz Mari, referindo-se a diretora.
– Vem viver essa onda. – Diz Felipe, enquanto dança (mesmo estando sentado) ao efeito da lombra.
Annie fica amedrontada com a ideia, coloca a mão direita na testa não acreditando que não conseguiu “dar” a salvação aos jovens.
– Não, não, pelo amor de Deus gente, olha, eu to saindo. – Diz Annie enquanto sai de fininho.
Nesse momento Brenda não consegue acreditar que Annie esta indo embora e ameaça:
– Não Annie, volta aqui, ó, ó... – Brenda mostra um sinal de “corta aqui”. –... Vou cortar a amizade.
– Toma uma cachacinha Annie. – Diz Mari ao mesmo tempo em que pega a garrafa do chão.
– Cadê? Cadê? – Pergunta Brenda “procurando” a garrafa.
Brenda pega a garrafa e leva a boca, depois disso ela nota a ausência de Annie e diz:
– Ué! Ela foi embora mesmo cara? Não to acreditando. E agora?
– E agora? A gente fuma a nossa maconha. – Reponde Mari.
– Com certeza! – Complementa Felipe.
Nessa hora todos puxam um trago, quando de repente volta Annie, desesperada com a situação, dizendo:
– Não! O santo vai libertar vocês ainda!
Após “gritar” isso, Annie começa a cantar, bem animada, um louvor:
– Deus vai na frente abrindo caminho. Quebrando as correntes, tirando os espinhos. Ordena aos anjos pra contigo lutar... – Porem, é interrompido por Felipe que diz: – Mentira.
Após ser interrompida, Annie fica sem reação e após uma palma de Brenda os jovens começam a cantar:
– Fuma, fuma, fuma folha de bananeira. Fuma na boa só de brincadeira. Fuma, fuma, fuma folha de bananeira. Fuma na boa só de brincadeira.
Enquanto os jovens cantam, Annie fica visivelmente perturbada com tudo o que estava acontecendo, ela andava de um lado pro outro com as mãos na cabeça.
– Eu to tentando aqui gente, meu Deus me ajuda... – Diz Annie após a cantoria acabar e novamente é interrompida, só que desta vez pelos três jovens ao mesmo tempo, que em coro dizem: – Mentira.
– Jesus, entre no coração destes jovens... – Continua ela, porem, novamente é interrompida pelos três que dizem em coro: – Mentira.
Nesse momento Annie, de saco cheio, acaba por jogar a mãos pro alto e dizendo:
– Ah! Não aguento mais. Preciso me juntar a eles!
Annie se senta com os três jovens e eles ficam bem animados por terem conseguido “converter” a “santa” em maconheira.
FIM